Brandon fora se reunir com a sua ordem e ainda não retornara, ele mesmo precisava pedir permissão a seus superiores para tomar Haien como seu aprendiz de mago, embora só tivesse discutido os conceitos básicos, o jovem monge parecia muito perspicaz em seu estudo de draconico e teorias de distorção da realidade. O Barbaro Bill Barton fora com Brandon para garantir sua segurança, e depois se juntaria ao grupo em New Lut.
Partiriam imediatamente de Shambala, Haien, Nathanael, Elrond e Ragnar. com o objetivo de reencontrar o mestre egg e começar a agir para deter o misterioso Lord Vaekar.
As coisas seriam fáceis demais se não fosse uma grande tempestade de neve, que selou as montanhas e todas as passagens na superfície, os portões foram fechados e ninguém sairia da cidade pelos próximos dias, Haien persuadiu um dos guardas a lhe falar sobre alternativas não oficiais, caminho que os levaria a ser apresentados a Tobias Fabray, um hobbit que visitava a fortaleza frequentemente e que também era um ladrão, e um dos bons, um especialista, foi o que ouviram.
A verdade é que os alquimistas régios de Shambala não foram os primeiros a construir e povoar aquelas montanhas geladas, dentro das montanhas havia tuneis e masmorras, longas câmaras e salões vastos, muitos foram restaurados e reformados durante a construção da cidade, se tornaram laboratórios, cofres, ou áreas de vivencia da nova cidade, mas havia tuneis que permaneciam intocados, que pouquíssimas pessoas na cidade conheciam, estradas inteiras para fora do desfiladeiro escavadas na pedra crua, e o pequeno e sorrateiro Fabray poderia guia-los por esses tuneis, por um preço, é claro....
Os primeiros dias de caminhada pelos tuneis úmidos e arruinados foram tranquilos, mas a partir do quinto dia, começaram a encontrar carcaças de monstros e pequenos animais nas câmaras, Elrond notou que aquilo era mais do que parecia, todos eles estavam, de alguma forma, drenados, esvaziados, e os locais não tinham sangue ou sinais de luta, os heróis começaram a se preocupar seriamente quando, no quinto dia, encontraram um bando de kobolds inteiramente dizimado, várias câmaras adjacentes, cheias deles, e agora somente seus restos ali habitavam, a menos de um dia, concluiu Elrond.
Eles sacaram suas armas, e durante aquele dia inteiro, marcharam lentamente pelos tuneis subterrâneos, esperando ser emboscados a qualquer momento, o que quer que fosse, estava perto demais para ser ignorado, e podia já saber que eles estavam ali.
Não conseguiam ver das profundezas da montanha, mas achavam que o sol já devia ter se posto e o quinto dia estava terminando quando entraram, ainda de prontidão, em um grande salão cheio de destroços do que antes provavelmente era um grande mercado dos anões, as gigantescas colunas com mais de vinte metros de altura tinham sido esculpidas na rocha da montanha e encravadas com runas e heráldicas de vários clãs, que talvez nem existissem mais, embora aquele salão arruinado ainda trouxesse seus escudos tão vivos quanto sempre.
-Esse seria um lugar perfeito para nos emboscar... - pensou Elrond.
Mas não teve tempo de falar, movimentos surgiram de várias partes do salão, levantando nuvens de poeira dos destroços na escuridão da caverna, prejudicando a visão já precária sob a luz bruxuleante das tochas.
-"Porque tinham que ser mais malditas aranhas?!" - Bradou Ragnar Brandindo seu machado.
E a luta começou, as nuvens de poeira, a escuridão da caverna, e o desnível do terreno causado pelos inúmeros destroços favorecia os aracnídeos, que atacavam e recuavam numa sucessão interminável.
-"Pelo menos quatro!" - concluiu Elrond!
-"Três!!!" Gritou Ragnar, ao matar uma das criaturas, com um golpe tão violento que a partiu em duas.
A luta continuava, e eles estavam se cansando, aquelas aranhas eram muito maiores que as anteriores, tinham o tamanho de cavalos e suas presas eram longas e afiadas como punhais, mesmo compreendendo que foram fortalecidas com magia, eles estavam assustados com a rápida progressão de seu tamanho e força. mesmo quando morriam, deixavam teias para trás, e a movimentação estava ficando cada vez mais difícil, e as expectativas de vitória dos heróis começaram a ser batidas pelo cansaço da batalha, quando finalmente parecia que a ultima daquelas monstruosidades tinha caído, sua esperança caiu por terra.
Mas a besta gigante não avançou, apenas derramava sua seda em fios longos e finos por todo o salão, os fios caiam lentamente e se acumulavam sobre tudo o que estava ali, destroços, ruínas, heróis e sobre os corpos destroçados das outras aranhas.
Estava ficando cada vez mais difícil se desvencilhar daquela teia gigante, será que ficariam presos ali pra sempre? A voz aguda e doentia de lord Vaekar quebrou o silencio do salão, ele estava ali, a quanto tempo ninguém sabia dizer, seu corpo parecia completamente humano, mas das frestas de sua armadura era possível ver emanando a névoa verde de magia vil que o contaminava por completo, a pele de seu rosto rachava como uma cerâmica cozida cedo demais, e das rachaduras saía vapor verde, e mesmo à distancia, era possível imaginar que aquele vapor tinha cheiro de decomposição.
-"Vocês pensaram mesmo que podiam fugir de mim? acharam mesmo que estavam fora do meu alcance, vocês são apenas gado, e eu os abaterei como gado, pois com o poder que tenho agora, vocês não são se quer dignos de serem ofertados na mesa de meu mestre..."
Sua voz tinha raiva, misturada com outra coisa, Haien, não soube dizer, seus olhos Elficos cruzaram a distancia e a escuridão da sala e se focaram apenas nos dedos da mão direita de Vaekar, se movendo lentamente enquanto falava, passando uma pequena bolota entre as falanges, pedra? não, o tom era amarelo, com manchas negras, parecia se amassar facilmente enquanto passava, argila? não, ele já tinha visto a descrição daquilo em algum dos livros de Brandon em Shambala, aquilo era outra coisa, um componente de magia, excremento de morcego, sim, guano, guano e enxofre, aquilo só tinha um significado.
-"SE ABAIXEM !!!" - Tentou gritar, mas a voz não saía.
-"Até nunca mais..." - disse Vaekar, dando as costas e jogando a pequena bolota por cima do ombro, que com um lampejo de luz verde incendiou-se e explodiu em uma enorme bola de fogo!



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