16 de fev. de 2018

Crônica 15.3 : O Guardião do Norte

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"Eu, Aegon, décimo primeiro do meu nome, herdeiro da travessia das estrelas, filho do dragão, senhor de New Lut, das pradarias dos valirin, das montanhas de agulhas negras e dos pântanos vermelhos, lhe concedo meu título, minha senhoria, e minha espada, você não é mais um aprendiz, agora é um guardião, e sua descendência deve herdar essa missão junto com você."
Lembrava-se Elrond Greenleaf, e mais uma vez se indagava como tantas coisas podiam ter acontecido em tão pouco tempo. Levara seu primeiro século em nas florestas da terra dos cantores em Lindorinand. Estudando e vivendo entre os elfos silvestres, tão logo alcançou sua plena estatura já dominara o arco e a espada, era admirado por seus iguais como soldado apto, disciplinado e exemplar, e muitas vezes ajudava a expulsar os orcs que se infiltravam nas bordas do reino da floresta.

Mas essa vida não lhe bastara, e chegado o seu tempo decidiu viajar, se isolar e conhecer mais do mundo e suas maravilhas e foi quando conheceu o seu Mestre Aegon Targaryen, que embora fosse um homem mortal, tinha uma longevidade e sabedoria muito alem dos homens que ja vira, comparavel a dos Eldar, aquele homem possuía uma filosofia de vida intensa e se apenas os seus conselhos mais valiosos fossem escritos, ainda seriam capazes de preencher as bibliotecas do rei da floresta. Essa amizade durou mais do que os homens chamariam de “uma vida”, mas agora, aquilo parecia uma sombra distante em seu pensamento enquanto aguardava sua audiência com Léah, a princesa do Reino Khanduriano do norte que os elfos chamavam de Eredaranarth, O reino das montanhas.

Aquele reino era habitado pelos homens do mundo santuário, filhos de anjos e demonios, fortes e belicosos, piedosos e misericordiosos na maior parte do tempo, mas extremamente temidos em sua furia.

Já havia chegado o meio dia, Elrond podia ver pelo barulho vindo do Rancho. Soldados de todos os tipos e tamanhos se amontoavam para receber mais uma das grandes refeições do dia, porém da praça de torneio ainda se ouvia o som de espadas se encontrando. Poderia apostar uma moeda de prata de que ainda era o jovem Ragnar levando outra surra de sua Majestade, O Rei Aidan, algo tão brutal não deveria ser chamado de treinamento. . .

- Queira, por favor, perdoar o meu atraso Sir. Elrond, mas em meus retornos a Secheron, depois de uma longa jornada, sempre encontro muitas obrigações acumuladas, desde a pequenas medidas a serem tomadas, a leis a serem assinadas. Meu amado Pai é muito rápido com a espada, mas um tanto tardio com a caneta. . . – disse Léah ao entrar com vários pergaminhos nas mãos, acompanhada de homens vestidos em pesadas cotas de malha e munidos de enormes tomos encadernados em couros de diferentes tons, e grandes rolos de pergaminho, um misto inusitado entre guardas e bibliotecários, ou talvez carregadores.
- Não precisa se desculpar Alteza, imagino o quão atarefada deva estar – falou Elrond ainda observando a princesa travar uma batalha agressiva com os seus pergaminhos e em pouco tempo a enorme mesa no centro da sala de audiência, pareceu pequena.
- Aqui estão! – Exclamou Léah – Estes são os relatórios de New Lut, ótimo, agora poderemos começar. Sr. Elrond Greenleaf, o senhor solicitou diante de meu pai, o Rei Aidan, o título de Lorde concedido devido a sucessão a Senhoria de New Lut e suas terras. Diz ter ouvido as últimas palavras de Lorde Aegon Targaryen, e trouxe consigo a sua Espada e seu selo para provar a veracidade do que diz. Está de acordo? – conferiu Léah.
- Sim, Vossa Alteza Real – Falou Elrond, de forma firme e segura, embora por dentro se perguntasse se aquilo estava de fato acontecendo.
- Todos os seus depoimentos foram colhidos e devidamente assinado pelo senhor, Sir. Elrond e estes depoimentos foram confrontados com relatórios de outros homens a serviço da coroa. O que confirmou tudo o que foi informado pelo Senhor! – Após uma pausa retórica, Léah fixa o olhar em Elrond e o pergunta: - Sir. Elrond Greenleaf, você conhece “TODAS” as obrigações que a Casa Targaryen tinha para com o reino?

Com toda certeza, a princesa Léah estava se referindo ao dever de proteger o reino contra a magia Vil: - Sim, Vossa Alteza Real. Eu, Elrond Greenleaf, juro proteger o Reino de Todo o Mal, deste mundo ou de qualquer outro. Prometo seguir sem vacilar as Ordens e as Leis da Coroa e levar comigo a Paz e a Justiça do Rei até o dia que eu seja julgado desnecessário, ou o dia de minha morte! – Falou diante da Princesa, embora em seu íntimo, a imagem do velho Aegon preenchesse os seus pensamentos, e ele sentia que jurava para seu mestre.

- Era o que eu precisava ouvir, eu Princesa Léah, Filha de Aidan, Filho de Leoric, Senhor dos nephalen, lhe concedo título de Lorde Elrond Greenleaf, primeiro do meu nome, Senhor de New Lut e Guardião do Norte, e sua descendência deverá herdar essa missão junto com você.

Uma semana após esse dia foi realizado um banquete de comemoração em homenagem ao novo Lorde de New Lut, por mais que Elrond insistisse que isso não era necessário, mas era impossível contrariar o Rei Aidan, se em tempos de paz sua vontade era tão poderosa, o que seria daquele soberano em tempos de guerra?

Sem demora se iniciava a primeira missão de Elrond, como Lorde. Nos relatórios que a princesa havia mencionado, New Lut havia caído nas mãos de uma milícia que vinha cobrando impostos abusivos e oprimindo o povo, o povo que agora era seu, para comandar e proteger.

Elrond se dirigiu imediatamente a New Lut, mas não sozinho, foi acompanhado de vinte cavaleiros do exército do Rei, seus Cavaleiros Juramentados agora, além de um Arauto para anunciar a sua chegada. Não que fosse muito necessário, pois “agora como um Nobre, terá de se vestir como um” falou Léah no dia em que apresentara Elrond ao alfaiate da Corte Real. Lorde Elrond Greenleaf cavalgava um magnifico corcel de batalha branco com crinas loiras, trajava um manto de peles de raposa castanho avermelhado que em muito lembrava a cor de mel de seus olhos, sob o manto usava um corselete novo , uma obra prima em todos os sentidos, o couro preto e em formato de placas iludiria até os olhos mais atenciosos confundindo os com Aço Negro, ricamente adornado com rebites de prata e ouro, e em seu dedo agora havia um anel de esmeralda, lapidada e entalhada com o dragão de três cabeças.

Seguiram pela estrada por quase um mês, sempre parando para repousar em estalagens, e deixando que os mercadores e cavaleiros livres ouvissem, através do arauto os feitos que esse mais novo Lorde havia realizado.

Na maioria das vezes aumentando um pouco a forma como contavam as histórias para dar ainda mais emoção.

Ao entrar nas terras dos Valirin, notaram algumas fazendas incendiadas e várias aparentemente abandonadas. Ao chegarem aos “portões” da cidade a decepção foi ainda maior, New Lut nunca havia sido uma grande metrópole, mas agora parecia mais suja, abandonada e deserta. Esterco para todos os lados, a cidade fedia a mijo e nem sequer portões tinha.

Quando os aldeões os observavam, enxiam seus rostos de esperança, talvez por verem os cavaleiros carregando os Estandartes Reais, mas Elrond direcionava a si mesmo a esperança do povo. Dois homens, de espadas na cintura fugiram por um beco ao ver a comitiva - provavelmente são combatentes da milícia. . . – pensou alto enquanto avaliava as ruas e gerava um palpite, conduziu a comitiva para a antiga sede do governo de New Lut, a antiga morada de Vaekar, o mais belo prédio da cidade, construído com grandes janelas de vidro e com ornamentos luxuosos. Seus instintos não falharam novamente, e quando chegaram diante do prédio, podiam ver cerca de cinquenta homens, poucos armados com espadas, a maioria com foices e machados de lenha, sua armadura era couro e pano improvizado de forma desemparelhada, diante do aço reluzente das placas de peito dos cavaleiros, estes pareciam nus.

Os vinte Cavaleiros levaram suas mãos as espadas, mas com um gesto sutil, Elrond os impediu que as sacasse, o Lorde olhou para o arauto e ordenou que começasse, - Anuncio Lorde Elrond Greenleaf, matador de dragões, mestre do fogo e do gelo, primeiro de seu nome, Senhor Legitimo de New Lut, das pradarias dos Valirin, das montanhas de agulhas negras e dos pântanos vermelhos, Guardião do Norte e Protetor da Justiça Real – Obedeceu, o arauto. Neste momento foi possível notar que alguns aldeões os observavam das janelas de outras construções.

O silêncio foi rompido por palmas vindas de dentro da construção de alvenaria, os portões se abriram e de dentro dele saiu um homem alto de armadura com dois Machados nas costas, um homem tão grande quanto o rei Aidan.

- Aquele só pode ser o Rock! - comentou um dos cavaleiros, enquanto o homem abria espaço na direção de Elrond.

- Sim, dizem que ele é líder de uma gangue de bandidos e salteadores - acrescentou um segundo cavaleiro.

- E que ele usa os Machados para retalhar os corpos das vítimas – somou-se à conversa um terceiro, sussurravam para que Elrond não ouvisse, talvez tivessem esquecido que se tratava de um elfo, e não qualquer Elfo, um ranger e um caçador.

O ranger avaliou o guerreiro que se aproximava, em cada detalhe, deveria ter dois metros de altura, muito maior que Elrond, a armadura tinha vários sinais de uso, ferrugem brotava das juntas e travas, uma barba negra e proeminente e um andar pesado, sem muita desenvoltura. Mais parecia um Ogro devido ao tamanho e a envergadura.

-“Senhor Legitimo”? “Matador de dragões”? Essa fadinha? – Zombou – Este elfo precisa de um cavalo para olhar um homem nos olhos, matador de tejús é um titulo mais apropriado - e apontava para o Lorde, fazendo toda a milícia cair na gargalhada. - Com apenas um de meus braços sou capaz mata-lo, esfola-lo e usar as tiras do seu couro élfico para flagelar os seus bajuladores em fuga!!! - as gargalhadas retombaram como um trovão.

O arauto tremia de tanto medo e o silêncio que ouvia atrás de si informava a Elrond que os seus homens compartilhavam com esse medo. - Pois bem, eu o desafio para combate singular. O que acha? A “fadinha” contra O Rock, ”O Bandoleiro”, “o retalhador” e “o fornicador” e quais mais adjetivos desejar usar...

O silêncio novamente tomou o recinto, o arauto ainda estava em choque. - Meu senhor.- sussurrou um dos cavaleiros quando foi interrompido pelo líder dos salteadores. – O ELFO ESTÁ LOUCO!!!-

-Mas eu não terminei ainda. . . se você vencer o Arauto escreverá um termo, transferindo todas as minhas posses inclusive a senhoria de New Lut para você. . .- os vinte cavaleiros interjeitaram em uníssono - SENHOR!?

- Você só pode estar louco!!! Claro que aceitei! - Brandou o homem, no instante em que puxava os dois Machados das costas.
- Mas. . . se você perder, ordene aos seus homens que se retirem das minhas terras, sem qualquer tipo de relutância e sem levar nada além das armas que tem nas mãos e das vestes que estão trajando! - falou de forma firme enquanto olhava friamente nos olhos do Salteador.
- Estou de acordo! - falou o homem já com um sorriso largo no rosto.
- Dê a ordem - insistiu Elrond...
- Vocês o ouviram rapazes, se eu. . .- gargalhou- se eu perder façam o que ele disse, agora sentem e assistam.

Elrond saltou de cima de seu cavalo, retirou o manto de seus ombros, deixando à mostra suas espadas, longas e esguias, uma em cada lado de sua cintura. A cimitarra de aço valiriano dos targarien pendia das suas costas, a arma de seu falecido Mestre. Agora já se viam vários aldeões a observa-los.

A arma que escolhera para aquele combate havia sido a cimitarra, era de fato uma arma magnífica, o aço que seu mestre trouxera de um mundo longinguo, onde o verão durava anos, e o inverno decadas, adornada com ouro e pedras preciosas, aquela lamina fora forjada com fogo de dragão e encantamentos esquecidos, quando a empunhava ainda sentia que não tinha o conhecimento de todo o seu poder. Aquele aço nunca foi reafiado, as ondas que se contorciam na superficie do dorso mostrava as mil vezes em que fora dobrado sobre si mesmo. Parecia uma arma recen-forjada sem nenhum sinal de uso.

-VAI LUTAR USANDO ESSA ESPADA DE BRINQUEDO?! CONTRA MIM?!!!- Berrou o Rochedo Ambulante enquanto corria na direção do Lorde com os Machados nas mãos. Por um instante era possível sentir a sensação do chão tremer.

Elrond caminhou lentamente para frente, na direção do guerreiro, era aproximadamente meio metro menor do que aquela montanha de musculos e furia e nada justificava a sua calma. Quando finalmente o salteador atingiu distância suficiente para atacar, girou os dois Machados com muita força e só encontrou o ar. Elrond havia esquivado para um dos lados previndo cada movimento do homem, como se a cena tivesse sido coreografada.

Com os machados nas mãos, o gigante olhou para os dois lados sem conseguir encontrar Elrond que estava atrás dele. - Aqui Retalhador! - falou Elrond batendo, com o lado da cimitarra na placa que cobria suas costas. Virou-se o mais rápido que pode. Elrond ergueu a guarda da espada assumindo uma postura defensiva e aguardou o adversário olhar diretamente para ele.

Os dois Machados desceram sobre ele num único golpe vertical, fazendo Elrond recuar num salto rápido e sem esforço para trás. - Essa espada pertenceu ao último Lorde legítimo de New Lut, Aegon Targaryen. . . - explicou Elrond no meio do combate, o que incendiou a fúria de Rock.

Os machados vieram mais uma vez na direção do rosto de Elrond, mas apenas encontraram o vazio. -Meu mestre me deu a honra e a missão de proteger New Lut. . .- Elrond saltou de outro ataque, - . . .proteger seu povo. . .- recuou de outro golpe e subiu num toco de uma árvore - . . .e proteger as suas terras.

Sobre o toco de árvore, Elrond tinha aproximadamente a mesma altura do homem, que com imensa Fúria golpou novamente de cima para baixo fazendo seus Machados ficarem presos no toco da árvore. Elrond caminhou sobre um de seus braços, chutou seu rosto e caiu levemente atrás dele.

-Proteger de homens como você, Senhor Rock, e dos seus, desista e desapareça! - Gritou Elrond.

-Irei matá-lo, retalha-lo e pendurar sua cabeça numa estaca, sua fadinha escorregadia! - mais uma vez os Machados vieram, mas dessa vez Elrond não esquivou, em vez disso, bloqueou com a cimitarra. E sussurrou - infelizmente, palavras não podem alcança-lo, não é? - Falou enquanto média forças com o Guerreiro.

Empurrou o homem para trás e devolveu a cimitarra a bainha. - Você não é digno de morrer pela espada de meu mestre! - E sacou as duas espadas longas e no mesmo instante uma delas se incendiou e a outra teve a lâmina coberta por uma fina camada de gelo. E assim, todos ali se tortaram testemunhas de seu título de “mestre do gelo e do fogo”.

A Fúria cegava o homem grande, que avançava de forma desajeitada enquanto atacava. O Lorde esquivou mais uma vez e passou uma das espadas por trás do joelho direito do grande Rochedo Ambulante, fazendo-o cair de joelhos.

Elrond apoiou um pé num ombro do Retalhador e o empurrou, fazendo cair de cara no chão, então o rodeou e falou em voz alta: - Vá embora, você não é páreo para mim! – o homem caído soltou um dos seus machados e agarrou uma das pernas de Elrond, para impedi-lo de recuar e com a outra mão atacou Elrond na altura do joelho, com força suficiente para decepar sua perna. Mas com um movimento ainda mais rápido, Elrond interceptou o braço que segurava o machado. O golpe decepou o braço direito do salteador fora, e o calor das chamas que envolviam a lamina era tão intenso que cauterizou o ferimento no mesmo instante, e o sangue de Rock não tocou aquela terra.

Elrond agora com um ar muito mais sério, apontou com uma das espadas na direção dos outros bandidos e ordenou: - Levem no daqui. Ele já não tem mais condições de lutar. . . - os outros homens obedeceram e nenhuma outra palavra foi ouvida até que todos eles tivessem partido. E naquela noite houve festa em New Lut!

Quando Elrond entrou nos seus mais novos aposentos, encontrou vários guardas da cidade presos no mesmo calabouço subterrâneo que Haien um dia esteve, também encontrou muita riqueza que os bandidos deixaram para traz, o Lorde pessoalmente contabilizou as riquezas e deu início a uma nova era em New Lut. Reformando a cidade, iniciando treinamento de novos soldados e determinando impostos justos para a manutenção da ordem pública.

Atribuiu cargos de confiança aqueles que ele conhecia, desde o período que convivia com seu mestre naquelas terras, e também aos cavaleiros que vieram com ele de Nova Secheron.

Um mês havia passado e muita coisa havia sido feita na cidade e nos campos que a rodeavam, a paz e a ordem haviam sido instauradas novamente. Havia chegado a hora de partir e pôr um fim ao mal gerado pela Magia Vil, e para isso, ele deveria retornar a Nova Secheron.

Na noite do decimo quinto dia da viagem de volta, Elrond Greenleaf finalmente havia conseguido retornar a Capital, deixou o cavalo com um dos cavalariços do estabulo Real e foi para a primeira taverna que viu pela frente. Precisava de algo quente para aconchegar o estomago e vinho doce para empurrar tudo para baixo. Ficou satisfeito com bacon, ovos e um pão meio velho, ao menos o vinho estava doce. . . enquanto comia, ouviu boatos de uma fera que estava raptando garotas durante a noite, e a cada cinco pessoas que entravam na taverna ao menos uma alertava a jovem que servia os pratos.

“Algum fundo de verdade deve ter nesses relatos” refletiu o Ranger, por um instante pensou que estava cansado de mais para fazer qualquer coisa a respeito naquele momento. mas ainda assim resolveu esperar que a moça largasse para acompanha-la de forma sutil até sua casa. Não foi necessário, ouviu um grito que apenas ele parecia ter ouvido, saiu correndo deixando apenas uma moeda de ouro sem esperar troco.

Do lado de fora, correu até o lugar de onde vinam os gritos. Era um beco, as paredes de alvenaria estavam arranhadas. . . garras bem profundas. Um segundo grito foi ouvido, mas dessa vez, depois do grito Elrond ouviu o farfalhar de asas. Subiu rapidamente no telhado de uma das casas e conseguiu ver a besta, parecia um demônio alado e carregava duas moças, uma em cada garra. Elrond começou a correr e saltar de telhado em telhado.

Não conseguiu alcançar a besta, mas conseguiu ver a torre onde ela havia pousado. Escalou a torre e confrontou a criatura, que só cara a cara pode perceber que era feita de rocha maciça: - Uma gárgula?

O Ranger sacou as espadas e golpeou a criatura com laminas de fogo e gelo, enquanto se evadia das garras da besta. Quando finalmente destroçou a criatura, se viu cercado.

Os mantos negros com longos capuzes ocultavam suas identidades, mas o estilo de suas vestes e armas os denunciava, o tom azulado da pele das mãos sob o luar quando empunharam suas espadas, as mechas de cabelos prateados saltando para o lado com o vento confirmaram que eram Drows.

– Ele conseguiu sozinho destruir a Gárgula? – Observou apreensivo um elfo negro, alto e esguio– Matem-no! – Elrond estava surpreso, mas não despreparado, decapitou três deles antes que os outros o vissem se movimentar e só então perguntou: - O que Drows fazem em Nova Secheron? Seu povo não é bem vindo nessas terras!– dos seis drows que restaram, três continuaram lutando e os outros três fugiram para dentro da torre.

Elrond continuou a combater esses três tentando não mata-los, precisava obter informações – Acho melhor me dizerem o que quero saber, não estou de bom humor hoje - Mas foi inevitável, mais dois despencaram do telhado desfigurados, o terceiro que ainda estava na torre pulou para a própria morte. Quando Elrond se debruçou para vê-lo cair, viu também os três últimos Drows fujões saírem da torre.

- CABED EN ARAS!!! – conjurou Elrond já no ar.

Então saltou da torre, mais de 15m de queda, e aterrisou suavemente como no salto de um cervo, para a surpresa dos últimos três drows.

Já sem paciência, matou mais dois dos drows e desarmou o último – Nós vamos ter uma conversinha com o Rei! – Falou Elrond enquanto o arrastava, o Drow encurralado tirou alguma coisa de um dos bolsos e jogou na boca, Elrond bateu com o pesado punho da espada contra o rosto dele- NÃO!!!- gritou em vão, ele mastigou e morreu envenenado mais lenta e dolorosamente que aqueles que escolheram o confronto.

Aquilo atiçou ainda mais a suas suspeitas, dirigiu-se ao castelo com pressa, precisava de uma audiência imediatamente.

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