10 de fev. de 2017

Crônicas 15: Rei Aidan

- SUA ALTEZA RETORNOU! - Gritava um servo do castelo, quando os portões foram abertos.




Leah entrou à frente, seguida de seus guerreiros e pelos heróis, o pequeno grupo foi saudado pelos servos do castelo, que se curvavam e reverenciavam à sua passagem. depois de atravessar dois grossos anéis de muros altos e entrar na fortaleza principal, ela os guiou até a sala do trono, era um grande salão, dois andares acima da entrada, cada uma das duas enormes escadas que levavam ao salão era larga o suficiente para que dez homens marchassem lado a lado, o salão em si reluzia em branco e dourado, e grandes flamulas azuis e vermelhas pendiam dos gigantescos pilares.

O trono era um assento esculpido em uma pedra unica de mármore encimado por dois anjos feitos de ouro maciço, suas asas seguravam a coroa real, trazida do mundo distante de santuário, uma peça que externava poder e autoridade.

Mas faltava alguma coisa naquela sala do trono tão grandiosa, protegida por todos os lados, seus guardas com lanças longas reluzentes com suas laminas em forma de folha, suas cotas e malha prateadas refletindo a luz do sol que entrava pelos vitrais.....



- Onde está o meu pai? - Indagou Leah...

-Aqui estou!- respondeu o homem que menos parecia um rei em toda aquela cidade. ele vestia um corselete de couro meio rasgado, e um par de vambraços de ferro, um cinto simples segurando a sua calça e um par de botas de couro muito surradas. seus braços eram musculosos e ele era tão alto quanto Ragnar, seu longo cabelo castanho caia por sobre seus ombros e se estendia sobre as costas.

Aquele homem destoava completamente do glorioso salão, e daquele batalhão de lanças e armaduras prateadas que o cercava. mesmo assim ele deu mais três passos, abraçou Leah, e todos no salão se ajoelharam para saudá-lo. Aquele era Aidan, filho de Leoric, senhor da Nova Secheron, cruzador de dimensões, cavaleiro da luz e matador de demônios.




Ele subiu os degraus e sentou no trono, Leah foi sentar do seu lado enquanto os heróis forasteiros se aproximavam.

 - Quem são esses guerreiros? não os conheço... - E os heróis se apresentaram, um a um, e ele os saudou com respeito. quando terminaram, Leah contou sobre Lucion, filho de Mephisto, sobre o acampamento de monstros em volta da torre de gelo, e sobre a ajuda dos Heróis na batalha. Mostrou ao pai o cristal que agora selava a alma demoníaca.

Quando a reunião terminou Leah pediu para conversar em particular com Elrond e Haien, o rei Aidan convidou Ragnar para treinar com ele, os outros foram para a hospedaria pois não dormiam adequadamente desde que saíram de Shambala.

Leah Apresentou Haien e Elrond ao sumo sacerdote Khalim, QueHegan de Zakarum, um dos altos concelheiros do reino, e seu aprendiz, um jovem sacerdote anão das ilhas de ferro, que atendia pelo nome de Stoneheart. Foram até sua biblioteca particular, onde haviam muitos pergaminhos e artefatos estranhos, alem de um grande armário com frascos, e fragmentos cristalinos tremeluzindo e se agitando dentro deles....

-Isso são....? - Haien não terminou a frase. Mas Leah respondeu assim mesmo....

-"Demonios! todos os que conseguimos capturar desde que começamos a construir o reino nesse mundo...

No universo de onde viemos, eu, meu pai, lord Khalim, e muitos outros foram mortos e sacrificados para dar vida e poder a esses demônios, um grupo de heróis nephalen há muito tempo enfrentou esses demônios e usou seu poder para bani-los do nosso universo, infelizmente estávamos mandando eles para cá, por assim dizer...

Em algum momento, eles descobriram que os demônios não estavam sendo banidos para o vazio, e sim para um reino distante, e que o povo estava sofrendo com a presença deles. Os mais corajosos dentre eles resolveram entrar nesse universo criando uma fenda dimensional, estudando a magia desse mundo eles descobriram uma maneira para nos trazer de volta a vida, a sabedoria de Lord Aidan, o primeiro homem a derrotar Diablo, e de outros grandes heróis do passado os levaria à vitória.

Mas nós voltamos diferentes, nossa idade retrocedeu e voltamos alguns anos mais jovens do que quando morremos, não nos lembrávamos de muito do que acontecera, demorei para aceitar Aidan como meu pai, embora ele seja o homem mais corajoso e gentil que já conheci, agora envelhecemos devagar, como o povo que vocês chamam de elfos, mas continuamos essencialmente humanos para todo o resto. Meu pai vem liderando muitos clãs que chegaram aqui de outros universos, lutando contra os demônios e construindo esse reino.

Sempre precisamos de ajuda na missão que os grandes ancestrais nos deixaram, se vocês quiserem se juntar a nós, posso garantir que não se arrependerão, mas devo dizer que independente disso, os males que estão para se manifestar nesse mundo são muito mais perigosos do que pensam.

Precisam treinar e se aprimorar constantemente, se querem sobreviver e defender seus amigos. naquela noite um acordo foi selado, e os heróis entenderam que teriam que se separar. Pela primeira vez desde que se conheceram em New Lut, cada um deles teria que superar seus limites antes que viessem a lutar juntos novamente.


Antes de sair da pequena, porem luxuosa câmara, Elrond se demorou por um instante, havia um quadro, simples mas muito bonito. Retratava um homem velho e uma criança, Elrond quase podia jurar que conhecia o rosto naquela imagem, mas deu de ombros e deixou a câmara junto com Haien e os sacerdotes, deixando Leah sozinha com seus livros e artefatos estranhos.

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